quinta-feira, 19 de julho de 2012

Primeira Inquietude: Os Cristãos Inquietos
Me digo Cristão, posso assim dizer que sou Cristão Católico e creio que não estou sozinho, pois o catolicismo ainda é a maior religião do Brasil e o Cristianismo a maior do planeta, a relativização vem da qualidade desses fiéis, mas não vou entrar nesse mérito.
Pelo fato de ser Cristão eu leio sempre na Bíblia e meus queridos irmãos de caminhada dizem sempre pra mim: “você precisa ser mais manso, mais tranquilo, mas sereno”,  você é Cristão Manuel, você não pode ser assim.
Minha namorada e principalmente minha mãe dizem que não escuto os outros, mas olha que escuto, nesse especifico caso sim, apesar que escuto, reflito, reflito, reflito , tento ser manso, deixar quieto algumas situações, pois sou Cristão, mas de fato não consigo ser assim, acabo fazendo ao contrario, ai eu me INQUIETO, E DIGO E AGORA ? Posso ser Cristão sendo assim inquieto? A quem recorrer? Eu por ter esse espirito inquieto, persigo minhas respostas. Uma vez logo que entrei na Igreja, via as pessoas aceitarem situações de autoritarismo de alguns líderes da Igreja e ficava pensando;  vai ficar assim mesmo ? ninguém vai fazer nada ? falar nada pelo menos ? na maioria das vezes o mais alto na hierarquia falava e  os outros “massas de manobra” aceitavam e até hoje é assim.
Eu nesses anos de caminhada já tentei agir contra algumas atitudes que defini como autoritárias e até abusivas. O engraçado que  somos manipulados para acreditarmos que vivemos em uma democracia, e deveríamos acreditar que dentro de nossas igrejas essa utopia de uma comunidade mais participativa nas decisões deveria ser seguida e de fato não é isso que acontece, alguns decidem e a maioria “massa de manobra” apenas aceita, alguns inconformados reclamam, e de vez em quando muito raramente somos escutados e olha que para que isso aconteça as vezes precisa de muita uma bela de uma briga, não que seja a favor disso.
Já li e escutei muito sobre ceb´s e etc e tal, o povo  sendo agente  transformador de uma realidade, construindo uma igreja mais popular, os leigos com mais voz na decisões, apesar de dialogarmos tanto sobre isso, ainda pelo menos aqui em minha realidade, não vejo isso.
Vejo a maioria das  decisões e   os posicionamentos sendo concentrados nas mãos dos religiosos e de poucos leigos líderes que na maioria das vezes se colocam  em uma posição  mandatária e só realizam ações que são convenientes a ela e ao pároco, com objetivo altamente econômico. Ai pergunto Jesus precisou de tanta grana para levar sua palavra ? e cadê o povo protagonista ?
Não estou sendo negativista, pois acredito  em ações positivas de muitos leigos(as) e também de religiosos sérios e dedicados a obra de Deus, mesmo sabendo que são iniciativas isoladas de poucos abençoados,   mas percebo que de certa forma nós estamos desviando  o foco, achando que construir estruturas suntuosa para evangelizar  é o caminho  certo a ser seguido, mas na verdade oque precisa ser construído é um coração solidário e fraterno que toque os almas  que precisam de Cristo, não é preciso de prédios e sim de  fé , amor e sinceridade nas palavras, Jesus evangelizava nos montes, em casas e etc, precisamos resgatar isso.
Estou falando isso, mas sei do descredito que as palavras de um leigo possuem, dependendo de quem escreve as palavras são dotadas de mais importância, pura hipocrisia, pois as palavras são as mesmas e querem dizer a mesma coisa, que precisamos de conversão e nos vermos como irmãos e criaturas que merecem respeito e querem ser ouvidas e não apenas abaixar nossas cabeças e dizer sim para a hierarquia, mas que ela esteja absurdamente errada. Precisamos respeitar nossas hierarquias sim, mas não ser “massas de manobra” e subservientes totais a eles, por isso precisamos estudar, buscar conhecimento, vigiar e orar para sabermos quem devemos escutar e saber que este ou esta pessoa estão sendo sensatos em sua decisões, ai sim entraremos em um outro patamar de diálogo comunitário sendo este mais fraterno, igual e tolerante.
Por isso e por outras questões vou continuar questionador, porque acho que não devo me calar e nem ficar alheio a situações que julgo erradas, por isso seria conivente e não quero, não posso  e não quero como dizia Cazuza.
Mais tarde lanço outro texto falando da inquietude de levarmos o evangelho com convicção e fé.
Obrigado.

Um comentário:

  1. só para registrar não sou contra as contruções e reformas dentro de nossas igrejas, até acho que ajuda significativamente, só acho que temos que nos concentrar em ações mais importantes , como por exemplo, encontrar dispositivos mais efetivos de evangelização, levando a pessoa de Cristo para fora do muros de nossas igrejas, fazer missionários e discipulos, pois se ficar só em construação nao adianta nada.

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